Há pouco tempo, questionando o movimento existente no Brasil e que se vêm chamando “educação ambiental”, dei-me ao trabalho de realizar um levantamento sobre as diferentes “educações” que o País já inventou e encontrei uma quantidade significativa delas: quase 20 (vinte) títulos que envolveram projetos, recursos, propaganda, discursos, ... e, invariavelmente, o desaparecimento das idéias. À guisa de ilustração, eis algumas das chamadas, que denotam não um Programa Nacional de Educação, mas aligeiradas iniciativas decorrentes de “problemas” de momento: “Educação para o Trabalho”; “Educação para o Futuro”; “Educação para a Saúde”; “Educação para a Inclusão”; “Educação para Todos”; “Educação para os Media”; “Educação para uma Nova Amazônia”; “Educação para Professores”; “Educação para a Sustentabilidade”; “Educação para as Ciências”; “Educação para a Inovação”; “Educação para Além do Capital”; “Educação para o Desenvolvimento Sustentável”; “Educação para a Qualidade”; “Educação para a Verdade”; “Educação para os Direitos Humanos”; “Educação para Parcerias” e, a mais citada, “Educação Ambiental”.
Não bastasse o que tudo isso deve ter significado em termos de investimentos, o senso crítico alerta para aspectos que vão do pleonasmo vicioso (“educação” para: a inclusão; professores; futuro; a verdade; ...), à ineficiência e à ineficácia desta mania nacional de gerar campanhas-tampão, em detrimento de uma efetiva transformação educacional. Os fatos demonstram que, na verdade:
a- além dos problemas crônicos de investimentos e diretrizes de qualidade nas Escolas Públicas, os Cursos de Formação de Formadores (Licenciaturas e Pedagogia), nem de perto acompanham as revoluções no campo da Neurociência, por exemplo. Enquanto pesquisadores como H. Gardner, D. Goleman, G. Doman, D. Guerrero, S. Ortiz, A. Vega, C. Antunes, J.A. Gaiarsa, ..., vêm demonstrando, há mais de 50 anos, os avanços do conhecimento sobre como o ser humano aprende, os futuros educadores permanecem submetidos a currículos obsoletos comprometidos com especialismos estanques temperados de discursos ideologizantes e até partidaristas;
b- a Educação Integral, de óbvia conotação sistêmica (de inter- a transdisciplinar), prescinde de eufemismos, redundâncias e/ou campanhas, pois o conhecimento pressupõe o domínio das conexões entre as áreas, a interpretação das interdependências das categorias de Jung (Artes – Filosofia – Ciências –Tradições);
c- segundo Genn Doman (Institutos para o Desenvolvimento do Potencial da Filadélfia, EUA), a criança já aos 3-4 anos de idade, independentemente de ser dotada de Altas Habilidades, já é capaz de ler e escrever corretamente, conhecer Aritmética, iniciar-se em música e em idioma estrangeiro. O “segredo”, segundo esta instituição de pesquisa, está na qualidade da relação mãe-filho, pois o Homo Sapiens possui um encáfalo apto a tais competências e habilidades. As obras que abordam tais informações encontram-se na literatura corrente, inclusive em Português – resta que a formação de educadores se atualize.
Por decorrência, qual o motivo de necessitarmos de uma “educação para a sustentabilidade” que somente viria a adicionar à estranha lista de outras “educações” do Brasil? Entendo que ser educado para uma outra relação sociedade-natureza, implica em interpretações de relações. Por exemplo: jovens e adultos precisam compreender que a questão da “sustentabilidade” em Serra Leoa não depende de um projeto de “educação ambiental” ou assemelhado e sim de uma análise conjuntural que faça compreender que, enquanto garimpeiros miseráveis, sob jugo de milícias genocidas da RUF (Frente Unida Revolucionária), recebiam US$ 15,00 por um diamante e esta mesma pedra terminava sendo comercializada por US 1,5 milhão, em Antuérpia, Amsterdã ou Telaviv. Ou ainda: por que um caboclo na Amazônia recebe por um tronco de mogno R$ 15,00 e, quando este é transformado em cabeceiras de camas na Europa, cada uma delas chega a valer US$ 3.000,00?! Ao sujeito educado sócio-ambientalmente, cabe a análise e interpretação destes fatos – resta que se discutam em que momento, visando que projeto de vida e ..., naturalmente contando com dados, informações e educadores qualificados.
Concluindo: não me fazem sentido, nem “educação e ...”, ou “educação para a sustentabilidade”. O que se deve ter claro é o que entendemos por Educação e por sustentabilidade; que País e que povo desejamos ter e ser. No mais, as crianças e os jovens dotados de uma fantástica rede neural, bem como de teoria, métodos e técnicas para uma outra Pedagogia, estão fartamente disponibilizados no País. O que não percebo é a eterna questão da vontade política, os diálogos entre especialistas comprometidos com um só Projeto e o rompimento com um processo ensino-aprendizagem estacionado no século XIX e olhando para a Idade Média.